O encontro
Nem sei se me falta inspiração, estou num momento que as idéias até aparecem, mas repassa-las estão se tornando um sacrifício!
Me lembro no momento de um amigo que diz que com o tempo ficamos sentimentais, hoje tenho mais parcimônia, procuro não ser deselegante com alguém e com isso perco o propósito, é mais ou menos assim: não se trata de deselegância magoar ou não um leitor, com isso perco minha veia azul, impura, que com a insensatez de sempre faz ser eu, me desviando da busca que sempre priorizei!
Estou gripada, ô dodói ruim, no quarto dia de medicação no momento estou na fase ”tosse de cachorro” atropelado por um caminhão e não é nada bom... Pô num ri não que tá tudo doendo...
De qualquer forma a novidade é que fui visualizar meu pequeno consumo, fui com a família até a consecionária e sentei na minha motoca 0 KM, não é nada demais, mas traz uma felicidade que a muito não possuía, ela é cinza como eu, se nada me desviar e digo nada me desviará, vou pendurar a chave na árvore de natal. Se bem lembro, ela fazia parte da minha lista no final do ano, eu te acompanho e você a mim, precisava compartilhar isso, é meu momento de realização, passei todos estes anos sem me dar valor, cuidava demais dos outros e como nunca me sinto minha, sou minha e de mais ninguém, um salto que antes não conseguia dar, pois a culpa me arrastava, como uma bola de chumbo amarrada em meu calcanhar, diga-se de passagem no esquerdo! Deixei de ser a muleta da família, um processo doloroso, que me punia e me adoecia...
Hoje deixo dona Mãe reclamar, falar mal filho tal ou bem do outro, não me envolvo, assim percebi que meu valor sou eu, um exemplo é que um dos irmãos anda me mandando mails mais tenros e o outro me deu a senha para que eu o acompanhe na faculdade, não pedi nada disso, foi uma iniciativa deles, Dona mãe vem aqui em BHZ, estou cansada de ir onde querem e isso vale pra eles também.
E ser eu não é fácil, se dar conta que sou filha de uma família desestruturada não é brincadeira, tentar por anos se resolver e ser a viga tem um preço, me dei conta que não quero pagar por isso, que tenho minha vida pra cuidar, sei lá é estranho dar a cara pra bater, poucos tem coragem pra isso... mesmo assim, se não o fizer me perco, ser você mesmo, ser legítimo e mesmo assim não perder a candura é até um exercício que num outro momento parecia ser impossível.
Tento não apagar o que escrevo, tento não voltar atrás nas minhas decisões, talvez naquele momento era o que parecia razoável dizer ou fazer, você me entende? Ando mais calma, até penso antes de falar alguma coisa, se meu interlocutor merecer ele precisa ouvir sim, se não merecer me calo para sempre pra ele, minhas palavras não terão sentido nenhum, falar o quê, discutir pra quê? Discutir política com ignorantes? Compartilhar sua fé com quem não compreende o Divino? Acho mesmo que é a idade, daqui a 26 dias quebro a barreira dos 35...
Ando me perdendo e me encontrando logo em seguida, o que é bom, antes demorava mais tempo, fico pensando: até onde quero chegar e se chegar o que fazer, já sei o que fazer? Faço?
E você anda como, anda aonde, perdido?
Se encontrou?
Pois é, pra quem não tinha nada pra escrever até que dei uma desabafada legal...