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Páginas da minha vida: "Eu o liberto"

 

Obs: uma carta escrita e não enviada!

 

Quando ela nasceu as expectativas familiares soavam para um Salvador, no entanto a primogênita que vos fala lamentou sua vinda ao mundo aos 4 anos quando ele enfim chegou. No desespero e na perda iminente de seu  reinado voltou a dormir no berço e a “mamar”, não poderia absolutamente permitir que lhe tirassem a vida, não sabendo que o desejo da mãe estava realizado na tentativa de restabelecer ordem na família paterna.

 

Ainda menino, gostava de balançar uma caneta entre as mãos enquanto ouvia música no seu fone de ouvido, dormia na posição de sapinho e adorava olhar as formigas trabalhando, não gostava de multidão, coisa que acabava com qualquer passeio familiar.

 

O menino cresceu, todas as atenções eram pra ele e ela cada vez mais só inventava um modo de derrotá-lo, mas não foi preciso, as atenções que o menino recebia o sufocava, ele tinha manias incompreensíveis aos olhos do normal e o tempo iria lhe tomar a esperança que ele tanto almeja nestes dias de hoje.

 

Ela sempre foi uma excluída, negra, neta de lavadeira, sem  beleza, renegada pelos avós paternos e um tanto desaforada, com uma certa freqüência amava sua mãe condicionalmente, mas protegia o menino quando alguma coisa de grave aos olhos de uma criança acontecia e educativo aos olhos do criador ao ponto de ser punida severamente sem nunca revelar a verdade.

 

Quando ele guardava uma moeda ou uma cédula e no outro mês ela ainda estava lá, todos diziam: ele será economista. E assim foi, o menino tomou os elogios para si e como numa forma de agradecimento e com sacrifício de todos os envolvidos ele se formou, sem saber que se formara para um sonho familiar e não para si.

 

Numa noite qualquer entraram homens da lei na sua casa, um choque para todos,  mesmo se tratando de um engano e com a verdade esclarecida o menino provou o pavor, pavor de ser humano, de ser pobre, de estar ameaçado sem ao menos cometer um crime. Neste momento começa seu calvário.

 

No desespero de não ser tratado como antes, de ser confundido, tomou uma bíblia em seus braços e adentrou numa religião que o pune até hoje, hoje ele não sabe quem é nem muito menos como pode ser, sua doutrina o ensinou a não duvidar, a confiar cegamente no imaginário e manter-se de cabeça baixa, televisão, notícias relevantes, a medicina e a tecnologia, a honra séria de seus dias lhe é desconhecido. Sua fé o cegou o suficiente para que não amasse o palpável.

 

O ciúmes de menina agora não tinha valor nenhum, ela conseguira o que tanto almejava, que o irmão fracassasse. Mais tarde ele desejou e argumentou que não éramos felizes e que a família reunida era a solução para seus problemas, o que não foi possível. Tomou sua vida e foi para o aconchego de outro lar.

 

Mas sua família já não tinha valor nenhum, seu valor estava no reino dos céus.

 

Quero que saiba que não desejava o fracasso propriamente dito e sim a desilusão! Quero que saiba que deste momento em diante eu o liberto, para ser quem quer que seja, para provar dúvidas, sexo, arrependimentos, você está livre para ser o que quiser e sempre o apoiaremos.

 

Conhece a música do poeta Cazuza irmão? “agora vou cantar... remoendo pequenos problemas,... querendo sempre aquilo que não tem... pra quem vê a luz mas não ilumina suas mini certezas... para quem não sabe amar, fica esperando alguém que caiba no seu sonho... vamos pedir piedade, senhor piedade, lhes de grandeza e um pouco de coragem... estão no mundo e perderam a viagem... somo iguais em desgraça...”  Ouça-a por um instante, deixe pra lá sua melodia pastoral, a poesia do mundo também é sacra.

 

Liberte-se, como faço nesta carta, não se compadeça de sua derrota, aceite as coisas como elas são e se caso não for como deseja, ao menos pense antes de vomitar suas verdades, o que você nunca soube é que antes de falar eu penso, antes de gritar calo minhas incertezas, aprenda amar o outro, porque ele é você, diga a verdade pra si mesmo, aceite as consequências de um mal entendido, chega, eu o liberto!

 

Sinta-se querido, amado, não se preocupe com o julgamento, ele não existe, só dentro de você. Não permita competição, nem comparações, eu o liberto, e o perdôo seja qual for seu pecado! Eu o liberto. Não perca seu tempo enviando e-mails sacros, minha força vem de Deus e Deus sou eu, eu sou a única a realizar milagres na fé que construí pensando por mim mesma, não se deixe enganar por textos condicionados, pense e logo exista! Eu o liberto, te amo e estás livre. 

 

Sua irmã: de sangue K

- Postado por: kk às 17h44
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ARTÉRIAS

 

Hoje pela manhã estava pensando no dia do meu pagamento: no que devo pagar, da cota maternal, do feriado, na mudança de plano de saúde e etc...

 

O fazia no banheiro enquanto arrumava o armário, jogando fora meu dinheiro em forma de embalagens inválidas, afinal qual mulher não faz isso? Compra e não usa, compra e o cabelo não gosta, compra e o produto que atesta que é dermatológico te empola toda( lógico), compra, compra e compra... Aí num momento de depressão dei uma surtada que não poderia deixar passar, lá vamos nós!!!

 

Sentada e quase com raiva pensei que enquanto não recebo e com a conta no vermelho sinto-me suja assim como meu sangue quando bombeia o lixo de volta para o coração e quando tenho meu cheque em mãos me sentia limpa como meu sangue arterial preparado para levar muito oxigênio e nutrientes para meu corpo, conhecedora de anatomia também me atentei à luz, que é o nome que se dá ao espaço entre o tecido chamado veia, artéria...

 

Depois veio a dúvida: quem inventou a palavra artéria? Isso eu sei, deriva do prefixo grego Artería significando Artéria, sem sentido algum e simples assim.

 

Simples assim era minha porcaria de comparação, mas o que me deixa mais ridiculamente deprimida é que realmente me sinto dessa forma! Simples era a forma que descrevia minha angústia de estar com o saldo devedor me dando tapas na cara num período que não poderia passar de alguns dias, fiquei pensando o quanto somos nojentos e não damos valor a coisas que realmente tem importância, mas dar valor a quê, a coisas? Mas saldo positivo não é importante? É minha luz...

 

Azul e arterial como a conta, vermelho sujo e venoso senão venenoso como a vergonha!

 

Viajei bonito, mas esvaziei o armário e fui pra farmácia de novo! Coisa de mulherzinha!!

 

Bjim.

- Postado por: kk às 21h19
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