VENENO DO ESCORPIÃO?
Lendo o jornal de hoje li que a Raquel Paxeco a moça esperta que se levantou da cama pra ensinar quiçá o quê para outras pessoas, estava ainda no auge do sucesso na Bienal, na verdade tenho curiosidade de ler o livro dela, mas me nego a comprar, gastar meu dinheiro pra entender e avaliar o que a moça diz e se é verdade está nos meus planos, mas só qdo ganhar na Mega, ainda não tô podendo, afinal foi preciso coragem para assumir sua condição de vendedora sexual e publicar um livro relatando suas experiências, daí me lembrei de um fato que aconteceu comigo mais ou menos uns 3 anos atrás, calma aí não fui puta não!
Certa vez numa dinâmica de PEI, que nada mais é que uma disciplina que somos obrigados a fazer, entrei numa roubada, quer dizer nem sei, cada um tinha que fazer uma pergunta ao grupo e quis colocar fogo naquele debate sem sentido que os psicólogos insistiam que eu participasse, perguntei o seguinte: afinal o que vocês acham da prostituição?
Ninguém entendeu nada, é claro e os psicólogos arregalaram o olho, e com certeza devem ter pensado do que é que eu estava falando! Depois que me deixaram concluir terminei a frase: É, vocês não acham que podemos nos tornar prostitutos? E falei baixinho: na nossa profissão, mas aí ja tinha falado, como sempre...
Claro que as mulheres se ofenderam e a conversa não rendeu o esperado, não o que eu esperava, queria que eles pensassem o que é a prostituição, o que é se vender, o que é vender o que você acha que é bom, não estava falando do corpo, mas num determinado momento quando a conversa não rendia, disse que eu mesma pra ganhar do meu marido aquilo que eu pedia a tempos dava pra ele quando ele queria e num passe de “mágica” recebia o que desejava, já que não trabalhava, ué, mas isso não é prostituição? quem nunca fez isso e apontei para uma moça que era casada citando meu exemplo! Pronto, o mundo caiu... claro que disse que puta era a mãe, mas eu não precisava me usar como exemplo ou a colega, mas a cara de mentira nos olhos dela, ah vocês precisavam ver, claro que em algum momento nos vendemos! Ri muito daquela situação em que me meti...
Mais tarde me convidaram para ser mediadora daquele curso numa aula qualquer, e que tinham gostado da minha pergunta, mas não adiantou nada, estou desempregada até hoje na área que me formei...
O que eu queria que aquela gente lerda entendesse que: de fato, quando a gente está estudando tudo é lindo, maravilhoso, todas as expectativas que nos cercam parecem esclarecedoras e num determinado momento você deve se calar, deixar que outros tenham o mérito, mentir sorrindo para o chefe, babar o ovo do cretino do colega que você cansa de corrigir os erros dele, mas depende das indicações pra lá de boas que ele dá sobre você, fazer aquela cara que não entendeu e cumprir o que lhe foi ordenado, como uma puta barata que apenas puxa a calcinha para o lado sorrindo ou faz cara de nojo mas chupa um pau fedido pra receber 20 contos no final da trepada!
A vida é assim, rotular uns putos e putas por aí é fácil, mas assumir nossa condição também não é nada agradável, ou você não é um prostituto(a) no seu dia a dia? Hurumm.